Pela madrugada caminhava,   no intuito de entender tudo que estava passando já a algum tempo, se esforçava de todas as maneiras possíveis, mas quanto mais pensava,  mais complicado tudo se tornava em sua mente. As memórias alegres se confundiam com seu presente tão conturbado. Duvidas o corroíam aos poucos. Há tempos vinha pensando em como curar a sua dor, o pior já havia passado por sua mente. Mas estava frustrado, se sentia um fracassado, por não ter coragem de não acabar com tudo. Queria que tudo aquilo terminasse logo, mas tinha medo de seu desfecho, de seu fim.
Queria muito viver, buscava desesperadamente pela vida. Mas se via sem forças para continuar. Queria poder voltar no tempo e reviver os momentos felizes que havia passado. Mas não encontrava soluções. Somente o temido fim parecia curar o sua dor.
Mas tinha medo. Pensava em tudo que deixaria para trás. No que teria ainda para viver. O futuro, seu maior medo, a idéia do desconhecido o perturbava profundamente. Se via sem rumo. E diante de todo esse medo e essa dor, reuniu suas forças para tentar lutar uma ultima vez. Até suas forças se esgotarem ao máximo, até não haver nenhuma solução cabível, ao não ser o temido fim.

Entrou no carro e começou a dirigir. Não sabia realmente onde queria ir, na verdade, não tinha aonde ir. O velocímetro já marcava 140km/h e as coisas começavam a passar cada vez mais rápido e menos nítidas diante dos seus olhos. Mas isso não o impedia de acelerar cada vez mais. O vento batendo em seu rosto a adrenalina passando por todo o seu corpo, o fazia sentir vivo, como já não se sentia por um bom tempo. Já não tinha mais medo. Mas porque teria? Não  tinha mais nada. A vida se encarregara de lhe tirar tudo! Sua família, o amor da sua vida, seu trabalho e amigos, nada o restara, somente o seu carro, este que estava dirigindo.
Sua vida inteira passava em sua mente nesse momento. Perguntava-se o que teria feito de errado para isso acontecer justo com ele. Estava inconformado, pois  não conseguiu achar respostas. E isso doía.
Ao horizonte viu uma ponte.  Tomou fôlego e acelerou o máximo que pode, atirou-se contra ela. Durante a queda pediu perdão, e sentiu-se aliviado, pois sabia que iria matar junto de si todas as suas angustias! O carro caiu e explodiu, seu corpo foi carbonizado como todo o resto.  As autoridades foram chamadas. Sem documentos e ninguém para sentir a  sua falta foi enterrado como indigente. Já não era ninguém, pois ninguém tinha e como o tal foi enterrado.


 A madrugada é meu abrigo. Teu  silêncio e escuridão acalentam minha alma que se atormenta na contagem incessante das horas do dia, clamando sua chegada.
Meus pensamento fluem levados pelo som do nada, hora ou outra, se perdem em si mesmo, na busca pela explicação do inexplicável.


Inicialmente vou explicar o significado da palavra dialética. Elencar alguns de seus aspectos para que se torne mais fácil o entendimento do título do blog para os que desconhecem o termo.
Dialétiica, originalmente, é a arte do diálogo, da contraposição de idéias que leva a outras idéias. O conceito de dialética, porém, é utilizado por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma, assume um significado distinto.Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz de aproximação entre as idéias particulares e as idéias universais ou puras. É a técnica de perguntar, responder e refutar que ele teria aprendido com Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). Platão considera que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das idéias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade.
Aristóteles define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. "Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres", diz o filósofo.
O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica quando define a dialética como a "lógica da aparência". Para ele, a dialética é uma ilusão, pois baseia-se em princípios que, na verdade, são subjetivos.